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Mário Laginha toca Canções e Fugas na Culturgest

O pianista inspirou-se no exemplo de Bach para misturar elementos tradicionais do jazz a uma estrutura musical clássica

O pianista Mário Laginha vai tentar "algo completamente diferente" no espectáculo marcado para esta noite na Culturgest, em Lisboa. Fascinado por J. S. Bach, compôs uma série de fugas, respeitando a técnica de escrita desta estrutura musical clássica, que é uma das marcas da obra do compositor alemão (1865-1750), mas introduzindo elementos tradicionais do jazz. "Não sei se é totalmente inovador, mas não conheço nenhum músico da área do jazz que tenha tentado fazer o mesmo", disse ontem ao PÚBLICO o pianista.
O concerto de hoje servirá de ensaio para um disco a solo, que o habitual companheiro da cantora Maria João vai gravar entre 4 e 7 de Dezembro, no Teatro Micaelense, na ilha açoriana de São Miguel. As gravações decorrerão sem público na sala, mas o pianista tenciona encerrar a passagem pelos Açores com um concerto no Micaelense, que terá o mesmo repertório do da Culturgest. "Para além de ter sido muito bem recuperado, o teatro tem um piano Steinway. Quando actuei lá com a Maria João, prometi que havia de regressar para dar uso àquele magnífico piano", explica Laginha.
O pianista e compositor espera que o disco seja lançado em Março de 2006, mas admite que a estratégia da editora possa ser outra. Nessa altura pretende regressar ao repertório do concerto desta noite, admitindo vir a fazer uma digressão por palcos nacionais e estrangeiros. "Tudo depende da maneira como o concerto for recebido", admite Laginha, que paralelamente continuará a sua parceria com Maria João e ainda com os pianistas Bernardo Sassetti e Pedro Burmester. Os três pianistas actuarão juntos a 25 de Novembro, no Centro Cultural de Belém.
Apesar da devoção por Bach, Laginha não vai tocar esta noite, na Culturgest, qualquer peça do compositor alemão. "Todas as peças foram compostas por mim, e a maior parte delas é original. O concerto não é uma homenagem a Bach, porque a sua dimensão como músico e compositor tornaria essa tarefa simplesmente impossível. No máximo, limito-me a tirar-lhe o chapéu, em sinal de respeito, e a sorrir", explica.
A estrutura do concerto segue de perto o modelo tradicional clássico: um prelúdio, onde haverá amplo espaço para a improvisação, seguido de uma fuga, cuja partitura será respeitada religiosamente. Na prática serão seis canções, intercaladas com igual número de fugas, que têm vindo a ser compostas nos últimos anos. O concerto abre com o tema Um Lugar Bem Situado, que será seguido por uma fuga em ré maior para três vozes. À medida que o concerto for decorrendo (está previsto que dure à volta de 90 minutos), as fugas tornar-se-ão mais elaboradas, com mais vozes, desafiando o virtuosismo do pianista. "Espero que tudo corra bem nesta mistura entre dois universos musicais", resume Laginha.

Rui Baptista in Público, 18/11/2005