Português | English

ONC Produções

Imprensa

3 Pianos no CCB "Não vai ser um concerto fácil"

Hoje à noite em Lisboa, sob o nome 3 Pianos, Bernardo Sassetti, Mário Laginha e Pedro Burmester reúnem-se pela primeira vez em palco

Pedro Burmester já tocou com Mário Laginha, que já tocou com Bernardo Sassetti. Mas esta noite o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, vai assistir à primeira apresentação em trio de três dos mais prestigiados pianistas portugueses.
O projecto, de nome 3 Pianos, consubstancia um encontro de amigos e surgiu de uma ideia de António Cabrita (também ele pianista), da produtora Incubadora d'Artes. Todo o processo tomou forma muito rapidamente - os primeiros encontros a três decorreram há apenas duas semanas. E logo nos primeiros ensaios ficaram decididas as linhas de força do espectáculo: primeiro, que vão ser experimentadas em palco todas as combinações possíveis: Burmester, Laginha e Sassetti a solo, os três duos e o trio; depois, que seria uma ocasião única, não havendo planos para mais concertos, edição deste em CD ou DVD nem gravação de discos. E recusaram mesmo um segundo espectáculo no Grande Auditório do CCB, já que a lotação para esta noite está esgotada desde o início da semana.
A continuidade dos 3 Pianos para outras salas está, aliás, constrangida por factores tão simples como a inexistência de locais onde se possa arranjar e colocar com boas condições acústicas três pianos de qualidade num mesmo palco. De repente, os três pianistas apenas se lembram da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e da Casa da Música, no Porto.
Não se deixem enganar pelo nome 3 Pianos, que remete para os Três Tenores, a reunião de José Carreras, Luciano Pavarotti e Placido Domingo. Asseguram os pianistas portugueses que este "não vai ser um concerto fácil", recusam o "facilitismo". Diz Sassetti: "Não escolhemos os temas mais simples de ouvir." Acrescenta Laginha: "Não fizemos arranjos do género "êxitos de sempre". Ou seja, não será - face a uma expectativa que podia ser construída pelo público perante o grande reconhecimento dos três pianistas -, uma série de temas conhecidos. E, avisam, será um concerto longo, a roçar as duas horas de música.
A única excepção poderá ser, reconhece Burmester, o Bolero, de Ravel. A escolha do reportório, "abrangente e completo", divide-se entre o jazz e a clássica, e, no dizer de Laginha, "todas as pontes entre uma e a outra". Do lado da clássica, surgem Bach, Barber, Bartok. Do lado do jazz, apenas composições originais de Laginha e Sassetti. Não haverá passagem por outros géneros - apenas uma aproximação ao ritmo do baião brasileiro num tema da autoria de Bernardo - nem outros instrumentos nem convidados. Apenas um encontro a três.
Jogam em equipa, dizem, e são "uma equipa de ataque". Ou seja, adaptaram as suas formas de tocar, e acham que conseguiram dar corpo a uma "ideia que faça naturalmente sentido" pelo som, e não apenas pelos nomes envolvidos ou pelo instrumento comum.

Eurico Monchique, in Público, 25/11/2005