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Cristina Branco

Live

Gravado em Julho de 2006, no maravilhoso teatro de Leiden (Leische Shouwburg Theater), na Holanda, terra da sua estreia internacional, o programa deste concerto mistura algum repertório mais recente (Navio triste, Sete pedaços de vento...) com fados mais clássicos como os celebérrimos “Ai Maria”, “Barco Negro” ou “Maria Lisboa”. Claro que a lembrança de Amália é constante nestas canções porventura míticas. Mas o nome desta artista não aparece aqui por acaso: não devemos esquecer que quando Cristina era adolescente e estudante, amante do jazz e da bossa nova, o fado foi-lhe revelado no dia em que o avô lhe ofereceu um disco de Amália. E foi esta cantora que afinal deu a volta ao destino da jovem que se destinava então a ser jornalista. Desde então o repertório de Amália aparece em filigrana ao longo da carreira da jovem fadista: através de retomas recorrentes ao longo dos álbuns. Presente também em todos os concertos daquela que se tornou a mais comovente intérprete da sua geração.

Neste concerto, Cristina joga com as diversas facetas da relação entre modernidade e tradição: modernidade porque ela tem afirmado um estilo próprio ao longo dos seus álbuns, tradição porque quando interpreta um fado mais antigo, fá-lo com um profundo respeito mas sempre com a marca da sua personalidade (com efeito, ela explica muito bem isto no DVD, filmado durante uma tournée em Portugal). “Live” é um concerto muito coerente, com imagens polidas onde teremos o prazer de descobrir Cristina Branco em algum repertório que até agora ainda não abordara. Se tivéssemos que resumir numa palavra a arte de Cristina Branco em cena, seria «emoção». Graças a este “Live” temos agora um testemunho desta emoção, gravado para um público que pode ir para além das paredes de uma sala de concerto.

CRISTINA BRANCO – LIVE

Ao longo da sua carreira, há sempre um momento em que o artista sente a necessidade de fazer um primeiro balanço, sente a vontade de virar-se para trás, para os seus inícios como para aí encontrar as raízes da sua arte futura. E é sem dúvida o sentimento que invade Cristina Branco no limiar desta nova tournée que a levará em volta ao mundo a defender as cores de Portugal e do fado. Do fado e do seu fado.

As razões desta reflexão são múltiplas: 10 anos de carreira (já! ou apenas...): desde a sua estreia na Holanda, aquando daquele primeiro concerto em que se sentia fisicamente petrificada, mas em que o seu canto já era estonteante, até às salas míticas (desde o Concertgebouw de Amesterdão até o Olympia) que a cantora consagrada doravante empossa. Antes a campanha vitoriosa de Holanda, onde ela é, hoje em dia, uma vedeta, depois a de França, até conquistar, enfim, o coração do público português, passando pela descoberta dos públicos do Japão ou dos das tournées americanas.

10 anos de carreira e já sete álbuns, sete aventuras, todas ligadas tematicamente por um fio quase inconsciente, como num jogo de cadavre exquis: foi o poeta holandês, mas lusófilo, Slauerhoff que a levara ao “O Descobridor” (disco de platina na Holanda) ao “Corpo iluminado” e desde “Corpo iluminado” até “Sensus” foi a poesia erótica de David Mourão-Ferreira. De “Sensus” a “Ulisses” foi o piano que de convidado passara a residente. E foi ao gravar “Ulisses” que Cristina Branco teve a intuição de que era na sua interpretação da célebre “Gaivota”, outrora repertório de Amália Rogrigues, que estava o germe do seu próximo opus. Ela o intuía embora ainda desconhecendo a sua forma. E a forma veio com a necessidade da introspecção artística.

A fixação da sua presença em cena com a captação deste “Live” tornou-se uma evidência. Porque durante estes 10 anos Cristina viveu através da cena, artista nómada do mundo como a sua personagem sugerida por pinceladas sucessivas em “Ulisses”. Porque através do live ela podia confrontar o passado com o presente. E neste confronto, o dos seus novos fados com as canções mais tradicionais, surgia como uma necessidade.

Gravado em Julho de 2006, no maravilhoso teatro à italiana de Leiden (Leische Shouwburg Theater), na Holanda, terra da sua estreia, o programa do seu concerto mistura então algumas das suas canções mais recentes (Navio triste, Sete pedaços de vento...) com fados mais clássicos como os celebérrimos “Ai Maria”, “Maria Lisboa” ou “Barco negro”. Claro que a lembrança de Amália é constante nestas canções porventura míticas. Mas o nome desta artista não aparece aqui por acaso: não devemos esquecer que quando era adolescente e estudante, amante do jazz e da bossa nova, o fado foi-lhe revelado o dia em que o pai lhe ofereceu um disco de Amália. E foi esta cantora que afinal deu a volta ao destino da jovem que se destinava então a ser jornalista. Desde então o repertório de Amália aparece em filigrana ao longo da carreira da jovem fadista: através de retomas recorrentes ao longo dos álbuns. Presente também em todos os concertos daquela que se tornou a mais comovente intérprete da sua geração.

Neste concerto, Cristina joga alegremente com as diversas facetas da relação entre modernidade e tradição: modernidade porque ela tem afirmado o seu estilo ao longo dos seus álbuns, tradição porque quando ela retoma um fado mais antigo, fá-lo com um profundo respeito mas sempre com a marca da sua personalidade (com efeito, ela explica muito bem isto no DVD bónus que acompanha o concerto, filmado durante uma tournée em Portugal). De onde um concerto muito coerente, com imagens polidas onde teremos o prazer de descobrir Cristina Branco num repertório que até agora ainda não abordara. E sobretudo, se tivéssemos que resumir numa palavra a arte de Cristina Branco em cena, seria pela noção de «emoção». Graças a este “Live” temos agora um testemunho desta emoção, gravado para um público que pode ir para além das paredes de uma sala de concerto.

Fotos

 

Fotos © Claude Gassian